Mulheres Trabalho e Alentejo
Caderno de histórias de vida
Recolha e textos Marília Ribeiro
Prefácios Adelaide Teixeira, Álvaro Domingues, Isabel Marçano e Teresa Simão
1ª edição Câmara Municipal de Portalegre | 2018
“A minha vida foi trabalhar toda a vida, afirma Joaquina Silva num depoimento muito sucinto mas absolutamente esclarecedor acerca da sua condição e daqueles que partilhavam o seu mundo – temos a noite e o dia e as veredas para andar, conclui.
(…)
As vidas das pessoas comuns raramente constituem matéria de interesse para além de um campo estrito onde se confinam família e amigos. A grande história dispensa os relatos na primeira pessoa, reservando essa atenção apenas para os actores principais que desempenham cargos de poder ou que são apontados como marcadores importantes nos seus campos sociais de pertença e assim são conotados como grandes escritores, artistas ou pensadores. Os “famosos”, aqueles cuja visibilidade mediática se encarrega de multiplicar ou diminuir segundo a ocasião, constituem outro grupo de quem se fala.
Face ao silêncio dos arquivos, à amnésia social ou à voragem do presente, estas histórias ficam como testemunhos de tempos em mudança, e de tempos cruzados entre a pré-modernidade e a modernidade. Por serem mulheres para quem os códigos de ética e moral eram mais severos nas sociedades tradicionalistas, os contrastes são mais vivos, embora escassos.
(…)
A poesia da vida que vive nestas histórias é como esta viagem que, nos pequenos gestos, pode ser arrebatada para o firmamento como um sonho, um ímpeto de vontade para prosseguir sem grandes retóricas de pensamento, utopias ou desígnios heroicos, mas com a viva consciência de que a vida se vive com outros, com a capacidade de ser feliz e a consciência nítida da escassa possibilidade de mudar as injustiças do mundo.”
Excertos do prefácio de Álvaro Domingues
“Chegar como turista a um lugar e partir é uma experiência diferente de permanecer e entrar na comunidade, aí se fixar com interesse pela vida local e pelo seu questionamento. À superficialidade da viagem como turista ocasional contrapõe-se a viagem mais profunda no tempo e no espaço, na participação de ritmos específicos, construção do conhecimento mútuo, pessoal mas também social.”
Excerto do prefácio de Isabel Marçano